domingo, 21 de fevereiro de 2010


domingo, 14 de fevereiro de 2010

Será difícil ser feliz?



em 16.1.10
Será difícil ser feliz?

Um dos clássicos da psicologia moderna é o livro de Mihaly Csikszentmihalyi que em português levou o título FLUIR. Csikszentmihalyi era então (1990) professor de Psicologia e Educação da Universidade de Claremont (USA) e membro da Academia Nacional de Educação dos Estados Unidos.

Em FLUIR, o autor fala dos "estados de experiência óptima", "os estados em que uma pessoa desfruta verdadeiramente de alguma coisa ou em que se concentra activamente numa tarefa, a ponto de se esquecer de tudo o resto". Também conhecido como "estado de atenção fascinada" ou "estado de fluxo" representa uma fonte de energia para enfrentarmos com mais vigor e entusiasmo os desafios da vida.

Numa época em que tantos livros de auto-ajuda nos tentam apontar caminhos para a descoberta da felicidade esta obra é seguramente uma das mais completas e acessíveis com a vantagem adicional de ter um fundamento cientifico (o que nem sempre acontece com muitos livros de auto-ajuda de autorias duvidosas).

Livro destinado ao público em geral, FLUIR resume em quase 400 páginas de agradável leitura mais de 20 anos de" investigação sobre os aspectos positivos da experiência humana - a alegria, a criatividade, e o processo de envolvimento total com a vida a que chamei fluxo"- diz o autor.
Csikszentmihalyi descobriu, por exemplo, que a felicidade não acontece. Não resulta da sorte ou do acaso. É, sim, "um estado que cada um tem de preparar, cultivar e defender. As pessoas que sabem controlar a experiência interior conseguem determinar a qualidade das suas vidas, que é o máximo que se podem aproximar do "ser-se feliz".

A felicidade resulta então de um envolvimento profundo com cada pormenor das nossas vidas, bom ou mau. Não é tentando procurá-la directamente que a conquistamos da mesma maneira que procurar o sucesso não garante que este seja alcançado. Então como proceder?

Diz Csikszentmihalyi: "Os meus estudos do passado quarto de século convenceram-me de que há uma maneira. Trata-se de uma via circular que começa por conseguirmos controlar o conteúdo da nossa consciência".
Como então? Resposta: "A nossa percepção das vidas que temos resulta de muitas forças que modelam a nossa experiência, cada uma influenciando a nossa boa ou má disposição. A maioria dessas forças transcendem o nosso controlo. Não há muito a fazer quanto ao aspecto físico, ao temperamento ou à nossa constituição. Não podemos decidir - pelo menos por enquanto - a altura que atingiremos ou a beleza de que seremos dotados. Ou seja, há muitos factores a que atribuímos muita importância para a nossa felicidade mas que estão fora do nosso controlo.

"Contudo - escreve Csikszentmihalyi, - todos passamos por períodos em que, em vez de sermos esbofeteados por forças anónimas, sentimos que controlamos as nossas acções, que somos donos do nosso próprio destino. Nas raras situações em que tal acontece, temos uma sensação de enorme alegria, uma sensação profundo de gozo que guardamos longa e carinhosamente e se torna um marco na memória de como deveria ser a vida. É a isto que chamamos de "experiência óptima".

Estudos levados a efeito em diversos pontos do planeta levaram a equipa de investigadores de Csikszentmihalyi a verificar que estes estados podem ser vividos por qualquer pessoa, rica ou pobre, negra ou branca, jovem ou idosa.
Estes estudos, que foram iniciados na Universidade de Chicago, prolongaram-se depois por outros países e envolveram muitos cientistas da Alemanha, Itália, Japão e Austrália. Descobriu-se, por exemplo, que a vivência frequente de "estados de fluxo" não só contribui para a felicidade como também para a saúde e a longevidade.

Já o médico Deepak Chopra descobrira que "as pessoas que têm melhores resultados em qualquer empreendimento da vida geralmente seguem um padrão para administrar os seus desejos sem lutar indevidamente com o meio ambiente (os factores externos) colocam-se no fluxo".

O doutor Csikszentmihalyie defende que as pessoas devem tentar desenvolver uma personalidade "autolética", isto é, devem aprender a saber transformar as ameaças em desafios para poderem conservar a sua harmonia interior.
Para desenvolver tal personalidade são apenas necessárias quatro coisas:

1º definirmos objectivos claros a alcançar na vida e desenvolver competências para os atingir;
2º deixarmo-nos imergir pela actividade, ou seja, envolvermo-nos profundamente naquilo que fizermos;
3º prestarmos atenção ao que se passa à nossa volta, ou seja, concentração para nos podermos envolver tal como fazem os atletas de alta competição;
4º aprendermos a desfrutar da experiência imediata mesmo quando as condições são brutais e adversas.

Um alerta: o excesso de estímulos da vida actual (sons, luzes, imagens, etc) impedem o estado de fluxo porque a energia psíquica é demasiado fluida e errática. Pela mesma razão, a insegurança, a ansiedade e o egocentrismo excessivos impedem-nos de o alcançar. São entraves que se localizam no interior das pessoas.

Seria magnífico que a educação actual apostasse em ensinar às nossas crianças a desenvolverem personalidades autoléticas. Seriam mais felizes e mais tranquilas. E haveria menos queixas de hiperactividade nas escolas, desatenção, desmotivação, insucesso e ansiedade.
(para saber mais: Fluir, de Mihaly Csikszentmihalyi, Relógio d´Água Editores, Lisboa, 2002).

em 15.1.10
Valorizar a Vida

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Cada minuto de nossas vidas é uma oportunidade de melhoria contínua. Se desejamos viver mais e melhor e conquistar o direito de ser feliz, precisamos romper com o imobilismo e acabar com as desculpas. A transformação da realidade tem inicio no interior de cada um de nós! A condição “sine qua non” é que sejamos partícipes de um mesmo ideal: valorizar a vida e ter consciência da rapidez com que ela passa. Tal ideal requer atitudes que nos estimulem a buscar a cada dia, mecanismos para melhorar a convivência na sociedade, no trabalho, na família, com os amigos e a estabelecer novas relações de poder, centradas não apenas na hierarquia, mas no poder pessoal de criar, contribuir, somar, compartilhar e cooperar.

Se realmente queremos mais qualidade pessoal na nossa vida, se acreditamos que vale lutar pela conquista de um estilo de vida com mais prazer e felicidade, se queremos agregar valores que nos levem à excelência como seres humanos, o ponto de partida é voltar nosso olhar para dentro de nós mesmos e refletirmos sobre o que é possível fazer para buscar o equilíbrio nas dimensões, física, profissional, emocional, espiritual, intelectual, e social, sem perdermos de vista a concretização do nosso PROJECTO DE VIDA.

São “coisas simples” que podemos colocar em prática que certamente nos garantirão uma vida com mais qualidade:

1. Descubra seus limites e procure respeitá-los;
2. Cultive cada vez mais seu humor
3. Evite um estilo de vida sedentária. Pratique exercícios;
4. Apaixone-se pelo trabalho que está realizando;
5. Estabeleça prioridades em sua vida e aprenda a dizer não;
6. Evite desenvolver vários projetos ao mesmo tempo;
7. Exercite sua paciência. Relaxe!
8. Desenvolva sua simpatia para com os outros;
9. Use sua inteligência para enfrentar as crises sem sofrer demasiado;
10. Procure enxergar o lado positivo das coisas;
11. Consuma uma alimentação equilibrada;
12. Evite levar trabalho para casa;
13. Cultive o hábito de falar menos e ouvir mais;
14. Aprenda a meditar buscando a paz interior;
15. Crie o habito de “passar sua vida à limpo” diariamente;
16. Mantenha sempre uma atitude positiva diante da vida;
17. Não abra mão das suas férias e do seu lazer;
18. Procure administrar seu tempo com eficiência;
19. Procure estar bem consigo mesmo, com a família e com os amigos;
20. Faça diariamente alguma coisa que lhe dê prazer;
21. Tenha sempre em mente o “seu projecto de vida”.
O desafio é não deixar passar as oportunidades para adotar um novo estilo de vida, para um novo tempo, que nos permita alcançar o resultado que todos sonhamos: SER FELIZ!
Adaptado de um texto de Elizabet Garcia Campos, Psicóloga.
em 5.1.10

Mentes do Futuro

Fala-se e escreve-se muito sobre a Sociedade da Informação, a Sociedade do Conhecimento, a Sociedade da Inteligência e ainda bem porque estamos vivendo em alguma delas! Perigoso seria ignorarmos a realidade, ou seja, em que tipo de sociedade estamos exactamente.
Mas quantas pessoas verdadeiramente estão sabendo vivê-la? Melhor ainda: quantos executivos, gerentes, administradores, empresários e políticos estão plenamente conscientes do que isso realmente significa? Não é apenas tecnologia! Não é apenas capital humano! É isso e muito mais. É uma Sociedade Multifocal baseada na Informação, no Conhecimento, na Inteligência e na Criatividade.
Em que me baseio? No que leio nos jornais e revistas de negócios! Nas entrevistas, nas notícias, na prestação das empresas. Nas pesquisas que importantes instituições realizam sobre o assunto. Realmente, poucos empresários - e poucos sindicalistas! - têm noção de qual é a verdadeira natureza da Sociedade Multifocal; poucos estão habilitados a lidar com ela e menos ainda estão preparados para falar do assunto.
É que, simplesmente, a actual sociedade trouxe novos conceitos como "capital intelectual" e outros mas poucos perceberam, na sua essência genuína, o que isso significa e que efeitos provoca. Sim, porque para muitos, tudo isso não passa de teoria e ideias assinadas por uns quantos académicos e gurus!
No mercado, como na natureza, impera a lei do mais forte (do mais ousado, do mais inovador, do mais competente, etc.). O mercado não perdoa! Está cada vez mais severo. Se é empresário ou gestor deixe-me que lhe diga: ou você e a sua empresa abrem os olhos, aprendem a inovar, estão na competição ou preparem a sepultura do negócio. E não se encantem com os eventuais bons resultados financeiros que possa estar tendo no momento. Isso não diz nada sobre o futuro. Só sobre o passado. Um competidor mais esperto e rápido entra no mercado e liquida a sua empresa ou o seu emprego em duas etapas: >>1ª Instala-se e 2ª Mata!
Sociedade Multifocal é isso! É competição agressiva, feroz, implacável. Isso exige Conhecimento, Informação, Inteligência, Criatividade! Se você ou sua empresa não os tiverem nem os desenvolverem continuamente prepare-se para o pior.
Sugestão:Leiam o livro "Cinco Mentes para o Futuro", de Howard Gardner, à venda nas boas livrarias.Howard Gardner é mundialmente reconhecido pela sua teoria das Inteligências Múltiplas. É professor de Cognição na Universidade de Harvard, autor de 20 livros e detentor de 21 títulos honoris causa.
Sintonizando-se com os novos tempos, Gardner definiu as 5 capacidades cognitivas que acredita serem preciosas (imprescindíveis mesmo) para todos quantos queiram ter sucesso na era da globalização. Vejamos, resumidamente:
1º A mente disciplinada: Deve ser racional, lógica, organizada, metódica, consistente, orientada para a apreensão de novos saberes. Aplica-se na escola, nas aprendizagens, na educação formal, no trabalho. Exige método, disciplina, interesse em saber mais, autodomínio e objectivos precisos.
2º A mente sintetizadora: É integradora, interdisciplinar, contextualizadora, multiperspectivista. Ajuda a que sejamos capazes de juntar os diversos conhecimentos, tirar conclusões e retirar delas novos entendimentos, uma melhor compreensão das coisas e dar consistência ao que retemos na memória semântica (a que regista os conhecimentos aprendidos de forma estruturada).
3º A mente criadora: É divergente, inventiva, imaginativa, aberta, inovadora. Já hoje tornou-se num tipo de mente decisiva para os governos, as empresas e os diversos profissionais. A criatividade e a inventividade permitem a inovação - determinante para o futuro da sociedade humnana.
4º A mente respeitadora: É compreensiva, tolerante, aglutinadora, convergente. Exige inteligência social para que possamos ter o "outro" como pessoa interlocutora e que merece o nosso respeito. É a base das relações humanas equilibradas, sadias e construtivas.
5º A mente ética: É valorativa, socialmente responsável, madura, altruísta. Visa a boa cidadania, a cultura de valores sociais e altruistas, pressupõe força de carácter e consciência social.
"Todo este conjunto de estruturas representam tipos atitudes mentais que serão necessárias se se quiser prosperar nas eras vindouras e que exigirão competências que até agora eram meras opções", adverte Howard Gardner.
Gardner defende que a nossa preparação e a dos nossos filhos para os novos tempos exige o aprofundamento daqueles tipos de mentes se quisermos ter os líderes, gestores, técnicos e cidadãos de que precisamos para povoar o nosso planeta.
Assim,
- os indivíduos que não tenham um ou mais conhecimentos (geridas pela mente racional) não conseguirão ter sucesso em qualquer local de trabalho exigente e estarão restringidos a tarefas menores;
- os indivíduos sem capacidades sintetizadoras serão subjugados pela informação e serão incapazes de tomar decisões sensatas acerca de assuntos pessoais e profissionais;
- os indivíduos sem capacidades criadoras serão substituídos por computadores e afastarão aqueles que têm chama criativa;
- os indivíduos que não sentem respeito não serão merecedores do respeito dos outros e poluirão o local de trabalho e o espaço público;
- os indivíduos sem ética produzirão um mundo desprovido de trabalhadores sérios e cidadãos responsáveis: nenhum de nós quererá viver nesse planeta desolador.
Reflicta sobre tudo isso.
Nelson S Lima, investigador